Ibiapaba FM 98,1 - Mulheres do CE têm mais medo de violência sexual que de assalto, diz estudo

Mulheres do CE têm mais medo de violência sexual que de assalto, diz estudo

O Ipsos-Ipec ouviu 2.032 meninas e mulheres de 16 anos ou mais de idade, moradoras de 77 municípios cearenses, entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025.


28/03/2026 09:32:54

Convido você a imaginar a seguinte cena: são 23h de um dia qualquer da semana. É hora de retornar do trabalho depois de um dia cansativo. O ônibus está demorando mais do que o normal, não tem mais ninguém esperando na mesma parada. Um carro se aproxima. Dentro dele apenas um motorista, homem, que abaixa o vidro e diz: “você trabalha aí no shopping também? Tá precisando de uma carona? Posso te levar até o terminal. Entra aí!” (sic). 

Você que é mulher e leu pode ter pensado "de cara": “melhor não entrar, vai que ele me estupra no meio do caminho?”. Se você é homem, dificilmente leu e temeu ser vítima de um crime sexual, mas pode ter cogitado: “e se for um assalto ou um sequestro?”. 

Essa diferença de pensamentos, em que as mulheres temem de forma constante a ocorrência de crimes sexuais, está explicitada na pesquisa "Mulher Coragem". O documento, dentre outros temas, revela que o medo de violência sexual supera os demais tipos de violência entre as mulheres cearenses.

Como parte do Projeto Elas, o Diário do Nordeste publica neste mês o especial “Mulher Coragem”, série de reportagens baseadas nos resultados da pesquisa de opinião “Os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”, encomendada pelo jornal ao Instituto Patrícia Galvão e executada pelo instituto Ipsos-Ipec, com o patrocínio da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).

O Ipsos-Ipec ouviu 2.032 meninas e mulheres de 16 anos ou mais de idade, moradoras de 77 municípios cearenses, entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025. Os dados apontam os principais medos das mulheres: 61% temem sofrer violência sexual (assédio, toques sem consentimento, importunação sexual ou estupro), 47% temem violência física (agressão, empurrão, tapa ou espancamento), seguido de 43% que também disse temer a violência psicológica, como ameaças, xingamentos, ofensas, bullying, assédio moral ou isolamento. 
Conforme a pesquisa, mulheres do Ceará têm mais medo de violência sexual (nas ruas) do que da violência patrimonial (quebra de objetos, furto/roubo, retenção de documentos por pessoas fora de suas relações íntimas/familiares), situação mencionada por 11% das entrevistadas.

O temor da violência sexual é particularmente acentuado entre as jovens: 78% das mulheres de 16 a 24 anos temem sofrer esse tipo de violência. O percentual decresce com a idade. E quanto maior a renda familiar, maior o medo.
“O medo de sofrer algum tipo de violência é generalizado no Ceará e permeia a vida de praticamente a totalidade das mulheres que vivem no Estado”, informou o estudo.
61% das entrevistadas temem ser vítimas de crimes, como: assédio, toques sem consentimento, importunação sexual e estupro.
Para a coordenadora do Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (NUAVV), do Ministério Público do Ceará (MPCE), promotora de Justiça Lívia Rodrigues, “por mais que ser vítima de um assalto lhe traga traumas, ser vítima de violência sexual traz mais danos psicológicos”.
As estatísticas disponibilizadas pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e extraídas pela reportagem indicam que, em uma década, foram notificados quase 20 mil crimes sexuais no Ceará. Em pelo menos 87% dos casos, as vítimas eram mulheres.
O número é alto, mas deve ser ainda maior. Porque, segundo as autoridades, crime sexual no Brasil é crime subnotificado.

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