Ibiapaba FM 98,1 - Alice no País das Maravilhas ganha vocabulário nordestino em adaptação de escritor pernambucano

Alice no País das Maravilhas ganha vocabulário nordestino em adaptação de escritor pernambucano

E ao encontrar o Gato, a quem chama de Bichano de Cheshire, percebe: "é um gato camarada".


22/07/2026 09:30:51

"Quando Alice entrou na toca, num buraco já caiu. Um poço muito profundo onde o Coelho sumiu. Caindo, viu nas paredes: armários, estantes, redes, mapas, quadros também viu". Com esses versos, o poeta e cordelista pernambucano Josué Limeira narra as aventuras que Alice encontra no País das Maravilhas.
A adaptação de Lewis Carroll ganha cor e diversão, com sotaque nordestino e ritmo da poesia popular.
Ao escutar sua irmã ler um livro sem diálogos nem gravuras, ela não fica entediada, mas "amuada". E ao ouvir o Coelho falar, ela não se surpreende, mas fica "encafifada" e nem "pestaneja" antes de correr atrás dele, rumo à toca e ao País das Maravilhas.
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Essa é a riqueza que vem com uma nova adaptação. Ela concede ao leitor a possibilidade de encarar uma obra, já vista tantas vezes, com novos olhares e perspectivas.
A releitura abre outros caminhos, lança luz sobre certos detalhes, enquanto outros se ressignificam sob essa nova lente.
Josué mergulha na diversidade e na beleza da língua portuguesa, abraçando o vocabulário que escutou na infância para dar corpo ao cordel. A Lagarta tem um parafuso frouxo, e o Chapeleiro não demonstra fraqueza.
Alice é essa jovem que não quer causar intriga nem rebuliço. E ao encontrar o Gato, a quem chama de Bichano de Cheshire, percebe: "é um gato camarada".
Quando o cordel e o clássico se cruzam
A escritora, desenhista e mestra em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Karina Silva, avalia que "o cordel tem essa beleza rara de ser, ao mesmo tempo, erudito e popular".

Fonte : Diario do nordeste 

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